quarta-feira, 28 de abril de 2010

Surpresa…


Numa noite de festa,
Onde tudo corria naturalmente
Esperava encontrar muita gente,
Gente conhecida,
Gente que iria conhecer,
Gente de todo o tipo
Menos duas pessoas.
Pessoas que em tempos
Desejara ter sempre por perto
Desejara encontra-las sempre
E que faria uma festa
Se as visse inesperadamente.
Mas nessa noite não.
Não as queria ter encontrado
Pois trouxeram-me recordações
De momentos outrora passados.
Momentos bons, inesquecíveis,
Incomparáveis…
Mas também trouxeram a tristeza
A saudade, a vontade de voltar atrás.
Mas isso não irá acontecer,
Não voltarei atrás no tempo
E o que passou passou e não mais voltará.
Ficando apenas cá dentro
Uma saudade enorme e a interrogação
De como teria sido se as coisas
Tivessem se resolvido de forma diferente.
Mas viverei com estes sentimentos,
Com esta interrogação.
E jurarei para mim mesma,
Que nunca mais irei sofrer
Por esses dois seres.
Seres que um dia irei esquecer.

Liliana Monteiro
02-03-2010

Quem sou?


Mas afinal quem sou eu?
Quem é este ser?
Neste corpo que pouco vale,
Neste corpo que muito suporta!
Procuro uma resposta
Mas não a encontro.
Não sei quem sou
Não sei porque aqui estou,
Que faço aqui…
Porque motivo, porque razão.
Que me prende a este mundo
A esta realidade.
Quanto tempo mais viverei com estas questões?
Com estas incertezas e duvidas…
Quanto tempo mais?
Não sei…
Nem sei porque me questiono tanto.
Vivo numa vida que não faz sentido
Que não tem razões de ser.
Será que me andei a enganar
Durante este tempo todo?
Ou o que me enganou?
Será que estava certa
E agora estou errada?
Ou será que tudo mudou?
Numa mudança repentina,
Numa mudança eterna.
Mas porquê?
Porque não tenho respostas?
Porque mantenho estas questões?
Porque a vida é tão confusa?
Porquê?
Sinto necessidade de mudar isto
De terminar com estas incertezas
De encontrar respostas.
Mas elas fogem de mim
E quando as tenho comigo
São me sempre roubadas.
Mas porque é que isto me acontece,
Quem me está a fazer isto
Quem?
Será que um dia obterei respostas?
Será?
Mais uma questão se junta a tantas outras…

Liliana Monteiro
12-02-2010

O futuro


Tenho medo do futuro…
Do que ele me reserva,
Do que ele me esconde,
Do que ele me poderá mostrar…
O futuro é tão incerto, tão misterioso.
Mas para mim agora se torna
Tão assustador…
Tenho medo de falhar,
De não ter escolhido as opções certas,
De ter escolhido o caminho errado,
De ter cometido erros irreversíveis.
Mas o medo mais profundo
Que preenche minha mente,
Que envolve meu ser
É o medo de perder quem mais amo.
Perder quem me faz bem
Quem me protege, quem me apoia.
Quem esta sempre do meu lado
Quem eu adoro, quem eu admiro
E principalmente quem eu amo.
A vida muda muito
E está constantemente em mudança.
Mudanças repentinas
Repletas de surpresas,
Surpresas essas boas ou más.
Receio o futuro
E as surpresas más que ele me reserva…
Será que irei aguentar?
Suspeito que não…
Receio não suportar,
Não suportar o sofrimento
De surpresas más como a perda.
Perder alguém importante para mim
É como se perde-se o meu eu…
É como se eu deixasse de existir.
Não, não suportarei isso,
É um sofrimento forte de mais para este ser.
É um sofrimento que supera
Todas as minhas forças…
Sei que um dia esse sofrimento vai chegar
Mas não irei aguentar…
E peço ao meu mundo e meus protectores
Que protejam essas pessoas
E que essas surpresas más
Sejam adiadas o máximo possível.
Só isso eu quero,
Só isso eu peço.

Liliana Monteiro
12-02-2010

Não entendo…


Esforço-me o mais possível
Mas não entendo.
Porquê?
Porque não posso ser feliz,
Porque me roubam a felicidade
Porquê?
Que mal fiz?
Que razões dei para isto me acontecer?
Não entendo,
Juro, eu não compreendo.
Estou cansada de sofrer,
De sofrer sozinha…
De estar sozinha,
Perdida, desorientada.
Estou cansada
Que me fujam com a felicidade
E só me deixem a tristeza.
Tristeza essa que se apodera de mim,
Que se agarra de mim e não me quer soltar.
Que afasta todo o resto de felicidade
Presente no meu ser.
Estou cansada de lutar
Sem resultados ver,
Sem resultados sentir.
Cansada desta vida,
Deste mundo.
Cansada de me sentir indesejada,
Como se ninguém se importa-se comigo,
Como se ninguém gosta-se de mim,
Como se não fizesse falta a ninguém.
Tento mudar isto,
Mas meu esforço acaba por ser em vão.
Pois nada muda,
Pelo menos o que eu gostava que muda-se.
Suspeito que nunca irá mudar
Por maior que seja o meu esforço.
E assim viverei…
Por quanto tempo mais,
Isso não sei.

Liliana Monteiro
12-02-2010

Não consegui


Inesperadamente, numa noite calma,
Numa noite de festa…
Tu apareceste
E muito mudou.
Recordações começaram
A surgir no meu pensamento.
Recordações de momentos mágicos
Recordações dos nossos momentos.
Voltaste a tocar me daquele teu jeito,
Voltaste a encantar-me como dantes fazias.
Voltamos a nos entregar
Naquela dança só nossa…
Naqueles movimentos que nos envolvem.
Voltaste a olhar me daquele jeito,
Jeito esse que me enlouquece.
Voltaste a falar-me com aquela voz,
Voz que me enfeitiça.
Voltaste e muita coisa nessa noite mudou.
Voltaste e eu voltei a entregar-me.
Voltaste a encantar me e eu não consegui resistir.
Por mais que tente não consigo
E nessa noite não consegui.
Não consegui resistir
A um desejo que mora cá dentro
E que nessa noite tu reacendeste.
Mais momentos tu entregaste para a recordação,
Mas porque o fizeste? Porquê?
Voltaram a ser apenas momentos
Pois porque para ti não passaram disso,
Momentos de uma noite,
Noite de sentimentos,
Noite de entregas,
Noite de lembranças…
Todos os momentos contigo
São mágicos, são únicos…
Mas não passam disso… momentos.
Por isso tento fugir disso
Tento não mais me envolver…
Mas não consigo
Como nessa noite não consegui…

Liliana Monteiro
02-03-2010